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URBAM
Prefeitura de São José dos Campos

25/05/2017

Cães amigos dos coletores seguem caminhão no Santa Inês I


Faça chuva ou faça sol, às terças, quintas e sábados, por volta das 7h, a dupla de cães já está a postos esperando pelo caminhão da coleta do lixo orgânico na entrada do bairro Santa Inês I. Alemão e Neguinha percorrem todo o trecho correndo atrás do caminhão até às 13h. Quando o caminhão vai descarregar os resíduos no aterro, eles esperam e retomam o trajeto, assim que o motorista retorna ao bairro.

“O pessoal brinca que eles têm até o crachá da empresa. O Alemão é o mais antigo. Creio que tem uns dez anos que ele percorre o trecho. Eu o conheço desde 2010”, informa o motorista Carlos Alberto de Oliveira Lima.

“Antes era o Alemão e sua mãe, que já morreu. Agora é o casal. Não sei como, mas eles sabem o dia e horário que o caminhão chega e parte do bairro”.

Os coletores cuidam dos animais. Na hora do lanche e do almoço, eles dividem os alimentos com os cães. “Até remédio a gente já passou no Alemão para cuidar dos ferimentos. Ele fica mais tempo com a gente do que na casa dele. Contam que no domingo ele passa o dia todo dormindo. Deve ser para descansar”, explica Carlos.

A relação entre eles é mesmo diferenciada já que na maioria das vezes os cães, com o instinto de defender a casa, não gostam da aproximação dos coletores. “Eles protegem a gente dos outros cachorros. Mas quando algum mais bravo se aproxima é a gente que o defende, pois ele já está idoso”, ressalta o coletor Flávio José dos Santos.

Segundo Flávio, os moradores já se acostumaram e colocam água gelada para os cães. “Se não for gelada, o Alemão não toma. Teve gente que até já pagou marmitex para eles”. Numa bicicletaria do bairro, eles ganham água e bolo. “Chamo os coletores para tomar um café comigo e os cães são bem-vindos”, disse Ilmar Nogueira de Oliveira, proprietário de uma bicicletaria no bairro. “Vários moradores aqui fazem estes mimos para os coletores. Acho que temos que fazer isto por eles”.

A dupla não desanima. “Eles são guerreiros. O Alemão já correu até com uma pata machucada”, conta Flávio. Em determinado trajeto do caminhão, eles pegam um atalho e logo alcançam a coleta. “Vão tão rápido que até derrubam quem estiver no caminho. E não correm atrás do caminhão da coleta seletiva, apenas do orgânico”, explica Carlos. Ele disse que chegou a filmar a ação dos cães para mostrar para a esposa que não acreditava que eles corriam o tempo todo atrás do caminhão. “Quando eles chegam atrasados eu fico preocupado, pois o Alemão já está velhinho”.

Carlos lembra que quando começou a trabalhar no bairro, errou a ordem de algumas ruas e o Alemão parava e latia. “Eu percebia que estava errado. Na mudança da empresa de coleta ele também estranhou a alteração do uniforme. Depois que sentiu nosso cheiro, percebeu que éramos nós”.

 

 

 

 

 

 

 

 

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