Isaías Hilário, agente funerário que ensina música clássica

Data da publicação: 29/07/2026 - Tempo de leitura: 8 minutos

Isaías Hilário toca o seu violino vestido com seu jaleco de tanatopraxista Foto: Urbam

A partida de um ente querido é sempre um momento delicado. A família busca encontrar forças para seguir em frente em meio ao sofrimento. Enquanto isto, existem profissionais que realizam um trabalho humano e cuidadoso para amenizar a dor da perda.

Isaías dos Santos Hilário, 53 anos, é um destes trabalhadores, que está sempre à disposição nos tempos mais difíceis dos joseenses. Ele atua como agente funerário na Urbam (Urbanizadora Municipal) há 27 anos, sendo responsável pelo serviço de preparação prévia de corpos para o velório (tanatopraxia).

No começo, Isaías, demorou um tempo para se acostumar com o serviço. Porém, logo entendeu a importância de seu trabalho e, hoje, isso o motiva a seguir na profissão. Ele é joseense, casado há 31 anos e tem dois filhos,

“A gente se depara com muitas situações por aqui, mas Deus tocou meu coração e me fez entender que alguém precisa fazer um serviço digno nesta área, com respeito e com a sensibilidade que uma família em luto merece nessa fase difícil”, explica.

Outra profissão

Mas, o que muitos talvez não saibam, é que Isaías também tem outra profissão, bem diferente da que executa há tanto tempo. Quando não está trabalhando no Velório Municipal, ele é maestro e se transforma no Mestre Zazá. 

O contato de Isaías com a música começou aos 7 anos, mas foi a partir dos 18 que ele decidiu se dedicar de verdade. Ele começou tocando na igreja, depois passou pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo, onde recebeu incentivo de um maestro para seguir na regência.

“Fui tendo o apoio do maestro e isso gerou a oportunidade de hoje eu estar fazendo regência na camerata da orquestra”, conta. Hoje, Isaías também integra a Orquestra Joseense e comanda um grupo próprio que leva música à escolas, asilos e condomínios da cidade. 

Mestre Zazá e seu grupo também se apresentam em datas como Finados e, eventualmente, em velórios particulares, levando conforto às famílias presentes. “A música é a arte de manifestar os diversos afetos da nossa alma”, reflete Isaías.

Público abrangente

As aulas de música, por sua vez, têm um público abrangente. Isaías já ensinou o próprio filho, hoje músico profissional, e agora começa a introduzir o neto de 3 anos no universo dos instrumentos. Muitos alunos chegam por indicação e quem não tem instrumento próprio pode contar com os que ele mesmo empresta.

Um desses alunos é João Pedro dos Santos, sobrinho de Zazá, que aprendeu violino com o tio a partir dos 6 anos e hoje também integra a camerata. “Eu só tenho a agradecer ao meu tio. Foi meu maior incentivador desde o começo e a maior parte do conhecimento musical que tenho hoje é graças a ele”, conta João.

Entre uma jornada e outra, o maestro segue acreditando no poder transformador da arte para os jovens da cidade. Sua trajetória é um retrato de São José dos Campos: uma cidade que reúne talentos em todas as áreas e profissões, transformando o ofício do dia a dia em motivo de orgulho.

 

O texto faz parte da série Talentos de São José, produzida em comemoração aos 259 anos de São José dos Campos. Confira aqui a programação de aniversário.

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